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EBD: Lição 9: Orando e jejuando como Jesus ensinou - 2º trimestre 2022

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INTRODUÇÃO

Nesta lição, aprenderemos acerca da oração conforme ensinada por Jesus Cristo, bem como as lições espirituais do jejum. O Divino Salvador nos assegura que, orando e jejuando ao Pai em secreto, Ele não estará indiferente às aspirações da alma, isto é, às nossas orações. Contudo, é imprescindível que a oração e o jejum sejam realizados da maneira que Jesus ensinou. Por isso, estudaremos o modelo verdadeiro de oração e jejum ensinado pelo Senhor Jesus no Sermão do Monte.

 

I. A ORAÇÃO É UM DIÁLOGO COM O PAI

1. A natureza da oração. Podemos dizer que a oração é o diálogo da alma com Deus, a qual aparece na Bíblia Sagrada em diversas formas como confissão (1Rs 8.47; Ne 1.6; Dn 9.3-15), adoração (Sl 45.1,8; Mt 14.33; Ap 4.11), comunhão (Gn 18.33; Êx 25.22; 31.18), ações de graças, feito de modo belo por Miriã (Êx 15.20,21), Débora (Jz 5) e Davi (2Sm 23.1-7). No Novo Testamento, Paulo exortou os cristãos a fazerem sempre esse tipo de oração (Fp 4.6; Cl 4.2; Ef 5.20).

Pelo exposto, e em primeiro lugar, o que deve marcar prioritariamente nossas orações é a busca da glorificação do Pai (Mt 6.9). Mas também devemos pedir, suplicar e perseverar em nosso pedido, como Daniel (Dn 6.10) e a mulher siro-fenícia fizeram (Mt 15.21-28). Há resposta de Deus para quem o busca incessantemente (Lc 18.1-8), conforme o apóstolo Paulo nos incentiva a fazer (Ef 6.18; 1Tm 2.1,2). Finalmente, podemos ainda pontuar a oração intercessória com o exemplo de Samuel (1Sm 12.23), bem como o da Igreja Primitiva (At 12.5).

2. Como os homens de Deus viam a oração? A Bíblia nos incentiva a orar porque há poder nesse maravilhoso recurso espiritual, o qual não podemos desprezar. Logo que lemos a Bíblia, percebemos que a oração é apresentada como uma ordem (Lc 18.1; 1Ts 5.17; 1Tm 2.8). No Antigo Testamento, por exemplo, Esdras via a oração como um recurso mais poderoso que o exército do rei Artaxerxes (Ed 8.21-23). No Novo Testamento, o Senhor Jesus tinha a oração como tão necessária quanto o sono e o alimento (Mt 4.2; Lc 6.12; Mc 1.35); e os apóstolos também perseveravam em oração (At 6.4).

3. A maneira de orar. A Bíblia nos ensina que a oração tem um interlocutor direto: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Por isso, não podemos orar de qualquer maneira. É preciso ter a mesma atitude dos discípulos a respeito da forma de orar: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11.1). E a Palavra de Deus nos ensina a respeito da maneira de orar:

a) A quem a oração dever ser dirigida? A oração deve ser dirigida a Deus Pai em nome de seu Filho, Jesus Cristo (Ne 4.9; Jo 16.23,24).

b) A postura do corpo na oração. Não há uma exigência específica na Bíblia a respeito da postura do crente no ato da oração, pois as Escrituras revelam formas diversas de orar: em pé, deitado, prostrado, assentado, andando, de joelhos, com as mãos estendidas etc. (Is 38.2; 1Rs 8.54).

c) O horário da oração. Ter um horário regular para falar com Deus é bíblico e bom (Sl 55.17; Dn 6.10; At 3.1), mas a Bíblia também diz que devemos orar sempre (Lc 18.1; Ef 6.18).

d) O lugar da oração. Jesus disse que podemos orar secretamente em nosso aposento (Mt 6.6) ou noutro lugar solitário (Mc 1.35). A ideia é de intimidade, de momentos a sós com Deus. O apóstolo Paulo diz que podemos orar em todo lugar (1Tm 2.8).

e) O decoro na oração. O decoro diz respeito à sinceridade, decência e reverência no ato de orar (At 2.1,2).

f) O estado do coração na oração. Se o coração estiver transformado e cheio da Palavra de Deus, nossa oração será ouvida (Jo 15.7).

 

II. A ORAÇÃO QUE JESUS ENSINOU

1. Jesus não condenou a oração em público. No texto bíblico em estudo, o Senhor Jesus não condenou a oração pública, visto que pelo aspecto bíblico ela é aceitável e recomendada (2Cr 6.12-42; At 4.24-31). O que Jesus condena é a oração, quer individual, quer coletiva, dominada pelo espírito de exibição, ostentação, cuja intenção do “orador” é ser visto e louvado pelos homens, o que os hipócritas fariseus buscavam (Mt 6.5; Lc 18.9-14).

Um cristão transformado por Jesus anda em sinceridade com Cristo, não busca glória para si e age com humildade.

2. Jesus quer que sejamos discretos. As expressões “entra no teu aposento” e “fechando a tua porta” (Mt 6.6) não significam que devemos ter um quarto só para a oração. É claro que podemos fazer de algum cômodo de nossa casa um local particular para falarmos com o Pai. Contudo, no ensino de Cristo em Mateus 6.5,6, sua ênfase não é o lugar, mas a atitude de quem ora. Esse lugar secreto traz o sentido de que quem tem a mente e coração transformados orará a Deus de modo humilde e sincero, sem buscar o aplauso dos homens. Para o cristão, o lugar secreto é visto como especial a fim de se afastar do mundo e estar sozinho com Deus. Ele sabe que a sua recompensa não vem de homens, mas do Pai que está nos céus.

3. Não useis de vãs repetições nas orações. Quando a oração é balbuciada apenas em palavras vazias perde o foco, que é Deus, e se firma nas vãs repetições. Sobre esse assunto, Cristo novamente combate os escribas, os quais faziam longas orações (Mc 12.40; Lc 20.47). Não é verdade que o Senhor desprezava longos períodos de oração, pois na Bíblia encontramos esse tipo de oração (2Cr 6.14-42; Ne 9; Sl 18); mas o que Ele contraria aqui é a atitude de alguém achar que quanto mais fizer barulho, Deus lhe ouvirá. Esse procedimento era peculiar dos pagãos, como bem se observa no caso dos profetas de Baal (1Rs 18.25-29). Ora, na Bíblia encontramos orações curtas feitas pelos homens de Deus, com verdadeiro sentimento, e que foram respondidas prontamente, como por exemplo: Salomão (1Rs 3.6-12); Ezequias (2Rs 19.14-20). Oração que tem repetição, mas que não envolve futilidade, mecanicismo, tem seu valor e é aceitável, pois assim Jesus orou (Mt 26.36-46). Quando entregamos tudo nas mãos de Deus em oração sincera e humilde, Ele cuida de nós.

 

III. ORAÇÃO E JEJUM

1. Oração e jejum: uma combinação perfeita. Em inúmeras passagens bíblicas podemos notar que a oração e o jejum estão bem combinados (1Sm 7.5,6; 2Cr 20.3,5; Ed 8.21-23; Ne 1.4; 9.1; Lc 2.37; At 13.2,3). Por meio das Escrituras, podemos dizer que a oração e o jejum são vistos como atos que revelam disciplina, autonegação e humilhação, e mostram também dependência total de Deus em momentos mais extremos, quando precisamos buscá-lo para resolver um problema específico ou receber uma determinada orientação.

2. O aspecto bíblico sobre o jejum. Na Bíblia, há três eventos que caracterizam a necessidade do jejum: o ato de humilhar-se, que, por meio da confissão, acontecia por causa da tristeza do pecado (Dt 9.18; Jn 3.5); o da lamentação, fosse por causa de um mal sofrido, fosse por alguma praga, uma derrota sofrida em uma batalha ou uma ameaça (Jz 20.26; Ne 1.4; Et 4.3); e o evento espiritual de grande concentração de fiéis, como no caso do envio de missionários e a escolha de homens para obra (At 13.2,3; 14.23).

Pela Lei Mosaica havia um jejum anual, no dia da expiação (Lv 16.29-34; Nm 29.7-11; At 27.9). Essa prática se multiplicou em diversas formas: do nascer ao pôr do sol (Jz 20.26); jejum de sete dias (1Sm 31.13); de três semanas (Dn 10.3); de quarenta dias (Êx 34.2,28; 1Rs 19.8); nos meses quinto e sétimo (Zc 7.5). Diante disso, os judeus decidiram jejuar duas vezes por semana, que se tornou uma prática degenerada por causa do orgulho, como no caso dos fariseus (Lc 18.12). Entretanto, o Senhor Jesus não estabeleceu dias fixos sobre o jejum. Ele jejuou de modo espontâneo, tendo como objetivo principal estar mais preparado e sensível à missão para a qual fora enviado pelo Pai (Mt 4.2), jamais por mera tradição.

3. O ensino de Jesus sobre o jejum. Segundo o Sermão do Monte, entendemos que a prática do jejum é livre, um ato voluntário, espontâneo, isso porque deve nascer do desejo genuíno da alma com motivos especiais, quer seja diante do perigo, quer seja diante da tristeza ou da tentação (Mt 9.14,15). No texto de Mateus 6.16-18, o ensino do jejum também é a respeito da humildade e descrição na prática. Para jejuar não é preciso desfigurar o rosto e ostentar espiritualidade, pois nosso Senhor ensina: “unge a cabeça e lava o rosto” (Mt 6.17). Assim como a oferta e a oração, o jejum não pode ser usado para atrair os olhares humanos, pois trata-se de uma prática piedosa diante do Pai. Toda prática verdadeiramente piedosa busca a glória de Deus.

 

CONCLUSÃO

O cristão que conhece a Palavra de Deus sabe da importância da oração e do jejum como exercícios espirituais (1Tm 4.8). Pela prática de ambos, o crente estará mais sensível ao Espírito Santo, de modo que sua realização traz constantes benefícios para a nossa vida espiritual, especialmente diante de um mundo materialista e utilitarista.

Fonte: Estudantes da Bíblia

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